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sexta-feira, 16 de junho de 2017

A DESCONSTRUÇÃO DA MALDIÇÃO


Os adeptos da teoria da maldição hereditária não se cansam de propagar seus falsos ensinos. Normalmente se utilizam de palestras, pregações e livros para divulgar a ideia que já deveria ter sido sepultada desde a década de 90 do século passado. O fato é triste e só contribui para o empobrecimento da Igreja.

Segundo alguns, a maldição hereditária advoga que: “(...) se alguém tem algum problema relacionado com alcoolismo, pornografia, depressão, adultério, nervosismo, divórcio, diabete, câncer e muitos outros, é porque algum antepassado viveu aquela situação ou praticou aquele pecado e transmitiu tal pecado ou maldição a um descendente. A pessoa deve então orar a Deus a fim de que lhe seja revelado qual é a geração no passado que o está afetando. Uma vez que se saiba qual, pede-se perdão por aquele antepassado ou pela geração revelada e o problema estará resolvido, isto é, estará desfeita a maldição”[1].

O texto mais usado para dar base à chamada maldição hereditária é Êxodo 20:4-6: “Não farás para ti imagem de escultura, nem semelhança alguma do que há em cima nos céus, nem em baixo na terra, nem nas águas debaixo da terra. Não as adorarás, nem lhes darás culto; porque eu sou o SENHOR teu Deus, Deus zeloso, que visito a iniqüidade dos pais nos filhos até à terceira e quarta geração daqueles que me aborrecem, e faço misericórdia até mil gerações daqueles que me amam e guardam os meus mandamentos”.

Contudo, uma interpretação adequada do texto mostrará que não é possível tirar as conclusões da maldição hereditária do mesmo. Tentaremos mostrar, portanto, que mais uma vez, alguns líderes estão compartilhando heresias importadas dos EUA, baseadas no empirismo místico em detrimento de uma coerente interpretação e aplicação bíblica. Se não, vejamos.

O primeiro ponto a se observar é que o contexto de Êxodo 20:4-6 traz uma advertência contra idolatria. Não farás para ti imagem de escultura. Logo, qualquer análise séria do texto deverá levar esse plano de fundo em consideração. Quando o texto fala da “iniquidade dos pais nos filhos” será que não está se referindo à idolatria? Ou a problemas de adoração ao verdadeiro Deus? Logo, de forma alguma é possível generalizar o sentido do texto para caber qualquer pecado: alcoolismo, adultério, pornografia, etc. O texto não fala disso.

Depois, um aspecto despercebido por muitos, é que o “Deus zeloso” é o agente da ação. Eu sou o SENHOR teu Deus, Deus zeloso. Ele é quem faz e executa a obra de “visitar” os filhos. Ora, isso é muito diferente do que a corrente da maldição hereditária afirma. Pois, lá quem age é Satanás e seus demônios aprisionando as pessoas nos pecados dos ancestrais! Lá, Deus deve ser invocado para desamarrar o que o diabo aprisionou. Mas, aqui, em Êxodo, é o próprio Deus quem age! É o “Deus zeloso” que faz com que os homens e sua idolatria sejam punidos.

Outra parte mal compreendida é: “visito a iniquidade dos pais nos filhos até à terceira e quarta geração”. O texto tem suas dificuldades próprias e uma das recomendações básicas de uma boa interpretação é que um texto obscuro deve ser entendido a partir de uma base mais clara. Além disso, a Bíblia não pode contradizer-se a si mesma, ou seja, quando houver uma analogia bíblica em conflito, o intérprete deverá se esmerar para que sua interpretação seja autêntica e harmonize as aparentes discrepâncias. Seguindo tais recomendações, vemos que se “visito a iniquidade dos pais nos filhos” for interpretado como uma maldição que passa de pai para filho, entrará em aparente contradição com Ezequiel 18:1-9: “E veio a mim a palavra do SENHOR, dizendo: Que pensais, vós, os que usais esta parábola sobre a terra de Israel, dizendo: Os pais comeram uvas verdes, e os dentes dos filhos se embotaram? Vivo eu, diz o Senhor DEUS, que nunca mais direis esta parábola em Israel. Eis que todas as almas são minhas; como o é a alma do pai, assim também a alma do filho é minha: a alma que pecar, essa morrerá.” Pois Ezequiel mostra que o pecado, a culpa e o juízo é individual. Mostra que o pecado dos pais não terá efeito e cobrança direta nos filhos! Como compreender, então, a aparente contradição? Precisamos analisar o texto mais complicado à luz do mais claro. Obviamente, Ezequiel apresenta um texto bastante simples e claro. Logo, revisitaremos Êxodo, em busca de soluções. Eis algumas considerações do o texto de Êxodo em questão: 1) “fica claro que Deus não pune os filhos por causa das ofensas de seus pais, mas se os filhos cometerem o mesmo pecado de seus pais, serão punidos da mesma maneira (‘daqueles que me aborrecem’)”[2]. 2) “É verdade que os filhos que repetem os pecados de seus pais têm toda a possibilidade de colher o que seus pais colheram.”[3]. “Ezequiel está falando que a culpa que os pais têm, por terem pecado, não se transfere para os filhos; mas Moisés referia-se às conseqüências dos pecados dos pais, dizendo que estas passam para os filhos. Infelizmente, se um pai é alcoólatra, os filhos poderão sofrer abusos e até mesmo a pobreza. Da mesma forma, se uma mãe contrai Aids pelo uso de drogas, então o seu bebê pode nascer com Aids. Mas isso não significa que aquela criança inocente seja culpada dos pecados de seus pais”[4]. Observa-se nos comentários acima que duas são as opiniões preponderantes acerca do texto: os filhos pecam da mesma forma que os pais, e os filhos sofrem as consequências naturais, e não espirituais, dos pecados dos pais. Em ambos os casos, não há uma maldição hereditária! Esse é o consenso geral do cristianismo protestante.

Não nos esqueçamos de que tudo isso está relacionado com “aqueles que me aborrecem”. Em hipótese alguma se aplica a um servo do Senhor, fiel e obediente a sua Palavra. É oportuno vermos a tradução da NTLH sobre essa parte: “Eu castigo aqueles que me odeiam, até os seus bisnetos e trinetos”[5]. Diferentemente, aqueles que são de Deus, que fazem sua vontade, o texto afirma que a bênção do Senhor os acompanhará e suas consequências naturais se espalharão por mil gerações.  A proposta da quebra de maldições para crentes, então, fica sem fundamento. A maldição hereditária, se existisse, no máximo, alcançaria o ímpio.

Por fim, esperamos ter ficado claro neste pequeno texto a impossibilidade de tal doutrina estar correta, pelo menos na medida em que se baseia em Êxodo 20:4-6. Ademais, alertamos a Igreja para não se fazer preza de vãs filosofias e sutilezas da mentira.

Que Deus tenha misericórdia de nós!



[1] ROMEIRO, Paulo. Evangélicos em Crise: decadência doutrinária na igreja brasileira. São Paulo: Mundo Cristão, 1999. p. 81.
[2] DAVIDSON. F. O novo comentário da Bíblia. São Paulo: Vida Nova, 1997.
[3] ROMEIRO, Paulo. Evangélicos em Crise: decadência doutrinária na igreja brasileira. São Paulo: Mundo Cristão, 1999. p. 82.
[4] GEISLER, Norman, HOWE, Thomas. Manual Popular de dúvidas, enigmas e “contradições” da Bíblia. São Paulo: Vida, 2001.
[5] BÍBLIA DE ESTUDO NOVA TRADUÇÃO NA LINGUAGEM DE HOJE. Barueri-SP: SBB, 2005.

domingo, 14 de maio de 2017

UMA MÃE AGRACIADA POR CRISTO

Fonte imagem: www.google.com

Lucas 7.11-17

INTRODUÇÃO

Hoje é reconhecidamente um dia especial. Comemoramos o dia das mães, e a Bíblia tem muitos textos que falam sobre mães. Um deles, bastante notável, e que iremos meditar neste momento, é o encontro de Jesus Cristo com uma mãe que passava por sérios problemas. Na verdade seu filho havia morrido e grande era a dor que ela vivia naquela ocasião. Veremos qual foi a reação de Jesus Cristo e tiraremos algumas lições do acontecimento.

I – As condições tristes e os momentos funestos que vivemos por causa do pecado!

O versículo 12 (v. 12) de nosso texto afirma que “saía o enterro do filho único de uma viúva”. A ocasião não era das melhores. Uma morte sempre é muito dolorosa e quebranta os corações. É um momento de extrema tristeza e dor. Uma das maiores angústias pelas quais passamos realmente é quando nos deparamos com a morte de um ente querido. Ficamos impotentes diante da situação. Nada podemos fazer para mudar o quadro.

Essa mãe estava passando pela triste situação de ter que enterrar um filho, seu único filho! Há um agravo extra na condição dela. Além do filho, ela tinha também perdido o marido. Tinha experimentado duas grandes perdas em sua vida. E agora estava só. Seu marido havia partido, e seu único filho também havia morrido. O teólogo A. T. Robertson citando Burton Scott Easton afirma em seu comentário sobre o evangelho de Lucas: “A morte do único filho de uma viúva era a maior desgraça imaginável”. Ainda o teólogo A. T. Robertson nos explica que o termo viúva (chra) se origina de (choV), destituída. O que dá mais força à emoção. Imaginemos o que se passava no coração dessa mãe e como estava sua vida naquele momento.

Numa perspectiva bíblica podemos dizer que tais angústias nos sobrevêm por causa do pecado. Direta ou indiretamente são consequências da queda. O apóstolo Paulo nos fala em Romanos 5.12 que “assim como por um só homem entrou o pecado no mundo, e pelo pecado, a morte, assim também a morte passou a todos os homens, porque todos pecaram”.

Realmente os efeitos do pecado são funestos, terríveis. A dor, sofrimento, a condição miserável da sociedade, as maledicências, a inveja, os assassinatos, as brigas, intrigas, as doenças e por fim a morte (Rm 1.28-32). As consequências de nos distanciarmos de Deus são fortes demais. Ao nos distanciarmos de Deus só encontraremos realmente a morte, pois, automaticamente, estaremos nos distanciando da vida. Então, ao ver uma ocorrência como esta não podemos simplesmente desconsiderar o efeito do pecado. Mas, que sirva de lição para a humanidade: sem Deus o que impera é a morte!

II – A compaixão de Jesus Cristo

No momento em que Jesus Cristo estava entrando na cidade coincidiu de o enterro do filho dessa mulher estar acontecendo. Jesus presenciou o fato, e, como seria comum a qualquer pessoa, teve compaixão!

Jesus Cristo conseguiu sentir a dor da mulher, se colocou no lugar dela e percebeu a dimensão de seu sofrimento. O fato nos mostrou um pouco da humanidade de Jesus, pois sabemos que ele foi completamente humano. Assumiu a natureza humana, para se identificar inteiramente conosco e poder realmente promover nossa salvação substitutiva.

Assim, o que veremos a seguir, a ação de Jesus Cristo, foi impulsionada por seu sentimento, por sua compaixão. O Senhor não agiu simplesmente para ensinar algo, de modo didático, não agiu para autenticar seu ministério ou sua palavra como verdadeira. Agiu por compaixão. Simplesmente porque viu uma pessoa sofrendo muito e teve pena de tal condição.

Isso nos fala muito ao coração, porque amplia de certa forma, nossa visão sobre o agir de Deus em nossas vidas. Além de o Senhor agir de diversas maneiras, para nos ensinar, nos corrigir, mostrar sua glória, ele também o faz simplesmente por compaixão de nossa situação. Que possamos confiar sempre no Deus que tem compaixão de nós.

III – Não chores!

Jesus disse a mulher: “Não chores!” (v. 13). Essa palavra é consoladora, mas também profética. Só Jesus poderia tê-la dito naquelas circunstâncias. Ninguém pode chegar para uma pessoa enlutada e dizer não chores, simplesmente porque ninguém consegue resolver o problema da dor da pessoa. Na verdade, nosso conselho comum é: “chore, será bom pra você”.

Falar não chore poderia suscitar até uma resposta atravessada, a pessoa poderia simplesmente perguntar: “Como assim não chore? Você não sabe do meu sofrimento e da minha dor? É insuportável e ninguém pode fazer nada para sará-la e você diz simplesmente para não chorar, como se nada estivesse acontecendo?”.

Mas, Jesus não era qualquer um. E sua palavra: “não chore” não era apenas retórica. O texto prossegue e afirma que Jesus chegou ao esquife (urna funerária, caixão) e “parando os que o conduziam, disse: Jovem, eu te mando: levanta-te! Sentou-se o que estivera morto e passou a falar; e Jesus o restituiu a sua mãe”   (v. 14).

Jesus Cristo pode dizer não chores a qualquer um, pois ele é o Senhor de todas as coisas e pode resolver qualquer situação. Na verdade, ele é quem finalmente e definitivamente “enxugará dos olhos toda lágrima” (Ap 21.4). Não é à toa que ele chama a todos dizendo: “Vinde a mim, todos os que estais cansados e sobrecarregados, e eu vos aliviarei” (Mt 11.28). Simplesmente porque ele realmente pode.

IV – O infinito poder de Jesus Cristo

Jesus, “parando os que o conduziam, disse: Jovem, eu te mando: levanta-te! Sentou-se o que estivera morto e passou a falar; e Jesus o restituiu a sua mãe” (v.14). O texto mostra o infinito poder de Jesus Cristo! Sem nenhuma dificuldade, somente com uma palavra, assim como todas as coisas que são operadas por Deus, o que estivera morto ressuscitou.

A morte não teve poder para segurar o jovem. Além de o texto nos mostrar o poder de Jesus, mostrou que esse poder é infinito. Somente Deus poderia ter tal força de romper até mesmo contra a morte. O Senhor se mostrou, nesta atitude, como nosso Deus, ou seja, aquele que tem todo poder. Essa obra somente o próprio Deus poderia fazer.

Jesus mostrou seu poder em outras ocasiões. Mandou a tempestade se acalmar (Lc 8.24). Curou cego (Jo 9.7), coxo (Jo 5.8) e outros enfermos (Lc 4.40). Ressuscitou mortos (Jo 11.43-44). Enfim, mostrou que toda criação está sob seu poder. Ele é o Senhor. Podemos confiar e crer que para Deus não há impossíveis. Para Jesus Cristo não há nada que ele não possa fazer.

Nossa visão a respeito de Jesus às vezes é muito limitada. Não enxergamos como deveríamos, ou seja, percebendo que nosso Senhor é o Todo-Poderoso. Não há problema insolúvel, não há situação demasiada difícil. Tudo é possível ao Senhor. Ele pode mudar os ventos, transformar água em vinho, e morte em vida. Basta uma palavra do Senhor. Basta seu querer e tudo será feito. Clamemos ao Senhor com a convicção de que tudo é possível para ele. Depositemos nossa vida diante dele sabendo que o mais ele fará. Confiemos nosso destino em suas mãos sabendo que estamos seguros, pois de sua mão ninguém poderá nos arrebatar. Somos ovelhas bem cuidadas e protegidas.

V – Glória a Deus

Vendo isso todos temeram a Deus e deram glória ao seu nome. Diziam: “Grande profeta se levantou entre nós; e: Deus visitou o seu povo” (v.16). É quase impossível reter o louvor diante de um fato como esse. Diante de uma demonstração de poder, misericórdia e compaixão como essa.

Podemos fazer o mesmo, glorificar ao Senhor! Pois, da mesma maneira que o Senhor teve compaixão daquela mãe, ele continua tendo compaixão de nós. Seus olhos estão atentos e seus milagres também nos alcançam cotidianamente. O Senhor é o mesmo ontem e hoje.
A ação pode não ser tão vultosa como a ressurreição de um morto, mas tão importante quanto, pois nos traz vida e a vida em abundância.

Devemos glorificar a Deus sabendo que milagres tão importantes quanto este visto são frequentemente feitos quando uma alma se converte e, de fato, passa da morte para a vida. Quando nossos parentes são alcançados pelo Senhor, realmente uma obra milagrosa nos foi concedida. A compaixão de Deus nos alcançou com certeza. O Senhor continua agindo no meio do Seu povo. O Senhor continua salvando. Glória ao Senhor para sempre.

CONCLUSÃO

O Senhor olhou para aquela mãe e com compaixão mudou sua sorte. Restituiu a vida a seu filho e lhe transformou a tristeza em grande alegria. Jesus Cristo pôde dizer “não chores!”. O Senhor tem todo o poder para mudar e transformar vidas. É o que ficou nítido.

Que nós mantenhamos sempre a melhor visão a respeito do Senhor, sabendo que ele é misericordioso, tem compaixão de nós, tem todo o poder e nos abençoa com sua graça e seus milagres sem fim.


Glória, pois, ao Senhor, para sempre!

domingo, 7 de maio de 2017

PAULO: O NASCIMENTO DE UM MISSIONÁRIO


Perfil

O apóstolo Paulo foi um reconhecido cristão e apóstolo do Senhor.  Afirmou ter sido separado por Deus antes mesmo de nascer (Gl 1.15). Sobre seus pais não temos muitas informações, contudo é possível que seu pai tenha sido cidadão romano, pois tal cidadania foi herdada por Paulo. Paulo também se chamava Saulo. Conhecemos primeiramente o personagem pelo nome de Saulo (nome hebraico) e posteriormente é chamado de Paulo (nome romano) na Bíblia (At 13.9). Ele nasceu em Tarso, região da Cilícia. Teve esposa, irmã, sobrinho e outros parentes (At 23.16; Rm 16.7, 11). Culturalmente teve uma carreira brilhante. Fez uma “faculdade” e foi doutor da lei. Além disso, estudou teologia aos pés de Gamaliel (At 22.3) um dos maiores rabinos de Israel. Era cidadão romano e, por isso, tinha alguns direitos e imunidades, dentre eles não poderia jamais ser condenado à morte por crucificação e nem mesmo ser lançado na arena dos leões. Sua profissão era construtor de tendas que eram usadas pelos soldados romanos (At 18.3). Socialmente chegou a uma posição de destaque em Israel sendo membro do Sinédrio, a mais alta corte de justiça da nação. Daí se infere que tinha mais de 30 anos de idade, era doutor e também casado, pois tais eram as condições para o cargo ocupado. Pertencia ainda à seita político-religiosa dos fariseus, uma das mais estreitas e zelosas da Lei (At 23.6). Foi perseguidor da Igreja e matou cristãos (At 7.58; 8.1; 1Co 15.9; 1Tm 1.13).

Conversão

Paulo estava indo para Damasco numa missão de perseguição aos cristãos. Tal jornada durava em torno de cinco ou seis dias. Próximo à cidade, ao meio dia, teve uma experiência fantástica. Viu uma luz muito intensa que o derrubou ao chão na presença dos seus acompanhantes. Na verdade, era uma manifestação poderosa de Jesus Cristo. O Senhor apareceu para ele e perguntou por que Paulo o perseguia. O homem naquele momento “desmoronou”! Paulo naquele momento se arrependeu, creu, foi transformado e chamado para missão. Foi uma das conversões mais inusitadas da história bíblica. Tudo isso aconteceu com uma pessoa que nem mesmo queria a Jesus! Sua vontade foi mudada instantaneamente! Para Deus não há impossíveis! Imediatamente Paulo foi até Damasco, agora cego por conta de visão que teve, e ficou por três dias em oração e jejum até que Ananias vai visitá-lo; orou com ele e o batizou. Paulo ficou curado de sua cegueira e iniciou a pregar a Jesus Cristo naquela cidade. De perseguidor passou a ser perseguido, pois os judeus da região começaram a se opor a ele.

Início do ministério


Paulo, então, foi para o deserto e ficou por lá cerca de três anos (Gl 1.17). Depois, voltou novamente a Damasco para continuar seu novel ministério. Contudo, foi perseguido novamente e fugiu de uma maneira pitoresca, descendo por um cesto através da muralha da cidade (At 9.23-25; 2Co 11.32-33). Foi para Jerusalém e lá sofreu novamente perseguições. O apóstolo fogiu, então, para Cilícia onde demorou de 6 a 8 anos (At 9.30; Gl 1.21). Após este tempo, Antioquia da Síria se tornou um reduto para o cristianismo. Nesta cidade, havia uma igreja forte e influente. Barnabé que conhecia Paulo foi ao seu encontro chamá-lo para servir naquela igreja. Paulo passou um ano doutrinando e ensinado naquela comunidade. O Espírito Santo conduziu a igreja para obra missionária chamando Paulo e Barnabé. Começou aí o despontamento missionário e a grande obra que o apóstolo deixaria para eternidade!

sexta-feira, 5 de maio de 2017

NÃO ADIANTA FUGIR

Imagem: google.com
Jonas 1-2

Os capítulos 1 e 2 do livro de Jonas mostram o início de uma história surpreendente, contudo real. Em termos gerais pode-se relatar o ocorrido mencionando que Jonas, um profeta do Senhor, havia sido chamado com uma missão específica para ir à cidade de Nínive, a grande capital do império Assírio. Jonas, por um motivo bem peculiar, não obedeceu à voz do Senhor e tentou fugir para Társis, cidade a oeste de Nínive. Os planos de Jonas não saíram como ele pensou e a viagem para Társis tornou-se um caos. O barco em que se encontrava estava a ponto de quebrar-se ao meio por conta de uma grande tempestade. Tal tempestade, contudo, não era simplesmente de ordem natural, o texto deixa isso bem claro, mas era a mão do próprio Deus pesando contra Jonas e seus intentos! Na sequência, os homens do barco conheceram que Jonas estava em pecado e fugindo da presença do Senhor. Imediatamente o lançaram ao mar. Agora, o profeta estava totalmente entregue à iminente morte. O incrível na história, que choca alguns, e desafia a credibilidade de outros, é o fato de um grande peixe, também enviado por Deus, tragar o homem, que ficou três dias e três noites vivo em seu ventre! Nas profundezas do mar, Jonas, vendo o que estava lhe passando, clamou ao Senhor e se arrependeu de seu pecado. Após essa ação, o Senhor ordenou ao peixe que devolvesse Jonas em terra. O peixe vomitou-o em terra firme. Jonas passou por tal experiência e saiu vivo para contar a história!

A atitude de Jonas pode representar muitas vezes a de toda humanidade quando se afasta de Deus não ouvindo e obedecendo a sua voz. De modo geral, todas as pessoas têm uma missão e um chamado da parte de Deus. Caso ainda não seja convertido, o chamado é para ouvir ao evangelho, por outro lado, se já é cristão, o chamado é para viver e pregar o mesmo! Mas, não há escape. Há um chamado e uma missão divina designada a cada indivíduo. De modo geral, tal missão envolve obedecer a Palavra de Deus. Qual a resposta que geralmente Deus ouve das pessoas? Negativa! Assim como Jonas, muitos correm. Tentam se esconder e fugir dos propósitos de Deus. Na verdade, o homem quer por em prática seu próprio plano, sua vontade e desejo, que são, via de regra, contrários aos de Deus. Há aqui, portanto, um conflito de interesses, os do homem e os de Deus. Quem deve ter a primazia? Julgue você mesmo!

Entretanto, fugir não é a solução. Não foi para Jonas e não será para ninguém. A fuga fala de insistir nos pecados, nos caminhos contrários ao Senhor. Fugir significa estimar mais o erro, o pecado do que a Deus. Trata-se de guardar com estimação a transgressão. Evidentemente que aos filhos de Deus tal atitude não é adequada. Portanto, Deus intervém em tal circunstância a fim de mudar seu sentido. O Deus que intervém é aquele que ama seu povo e quer discipliná-lo. Tal disciplina não tem o objetivo de destruir, mas de restaurar, transformar e edificar para o bem: “Porque o Senhor corrige a quem ama e açoita a todo filho a quem recebe” (Hb 12.6). E Deus corrige os seus para que os tais não sejam condenados com mundo: “Mas, quando julgados, somos disciplinados pelo Senhor, para não sermos condenados com o mundo” (1 Co 11.32). Isso é uma realidade. Assim, podemos concluir que diante da transgressão dos chamados, e de sua obstinação, temos a ação do próprio Deus contrária aos planos dos homens: “Porque a tua mão pesava dia e noite sobre mim, e o meu vigor se tornou em sequidão de estio” (Sl 32.4). O próprio Deus toma a iniciativa de agir e sua mão levanta-se contra toda dureza de coração: “Mas o Senhor lançou sobre o mar um forte vento, e fez-se no mar uma grande tempestade, e o navio estava a ponto de se despedaçar” (Jn 1.4). O pastor Augustus Nicodemus tem uma mensagem intitulada: “E se Deus for contra nós?” que pode resumir a preocupação que se deve ter quando se está em pecado. E se Deus for contra nós? Acabamos de ver que ele foi contra Jonas, não seria contra nós também?

O maior problema, no entanto, não é o pecado em si, a falha ou o erro, até porque todos pecam: “Se dissermos que não temos pecado nenhum, a nós mesmos nos enganamos, e a verdade não está em nós” (1 Jo 1.8). O pior de tudo é a resistência, a obstinação em manter-se em rebeldia. Existem pessoas que gostam do pecado, flertam com ele e o guardam no subsolo de suas almas. Pessoas que não ouvem a repreensão, não se arrependem de seus maus caminhos e acreditam que seu erro é insignificante ou simplesmente passará batido. Há apenas uma orientação para esse tipo de pensamento: “de Deus não se zomba. Pois o que o homem semear, isso também colherá” (Gl 6.7). Não se enganem o pecado não foi ruim somente no passado! Mas, o pior não é o pecado em si, como foi dito, mas não se arrepender e não se desviar do mesmo. O pior é insistir no erro. A insistência pode levar o homem até os portões da morte. Jonas se viu como sepultado, no fundo do mar, no fundo do poço! Será necessário chegar até ao fundo do poço, até as portas do inferno para que o arrependimento chegue à vida das pessoas? Não seria mais prudente e fácil clamar ao Senhor por sua misericórdia e graça? “Se confessarmos os nossos pecados, ele é fiel e justo para nos perdoar os nossos pecados e nos purificar de toda injustiça” (1 Jo 1.9).

Jonas clamou do ventre do grande peixe e o Senhor ouviu seu clamor. O arrependimento é extremamente necessário. Max Lucado tem uma frase que cabe bem neste momento: “Deus o ama como você é, mas se recusa a deixá-lo como está. Ele quer que você seja simplesmente como Jesus”. O rei Davi em determinado momento exclamou: “Enquanto calei os meus pecados, envelheceram os meus ossos pelos meus constantes gemidos todo o dia. (...) Confessei-te o meu pecado e a minha iniqüidade não mais ocultei. Disse: confessarei ao SENHOR as minhas transgressões; e tu perdoaste a iniqüidade do meu pecado.” (Sl 32. 3, 5).

Confessar, se arrepender, indica um realinhamento de planos. Indica que se está deixando a independência para assumir a dependência de Deus. Arrepender-se significa falar sim ao Senhor e não ao pecado. Arrependimento traz vida, restauração e crescimento. Portanto, não adianta apenas fugir dos problemas, dos erros, das falhas e do pecado. A solução é reconhecer que o próprio Deus está agindo com disciplina para que cresçamos, abandonemos o pecado e o sirvamos para sua honra e glória para sempre.

Deus nos abençoe.

sábado, 1 de abril de 2017

DEUS DE ATRIBUTOS






Estava hoje lendo e meditando na lição que terei que ministrar na EBD. O tema? “Deus de atributos”. Então resolvi escrever este pequeno post para nos lembrar das magníficas qualidades do nosso Deus! Tais qualidades fazem de nosso Senhor o Deus único e especial, diferente de qualquer outra “divindade”.

Primeiramente devemos mencionar que Deus é AUTOEXISTENTE. Ou seja, Ele não veio a partir de algo, mas é em si mesmo o EU SOU. Não derivou de ninguém e sempre existiu de eternidade em eternidade. Logo, compreendemos que o Deus cristão está acima do espaço-tempo.

Deus é IMUTÁVEL, com isso queremos dizer que o Senhor não se altera, não muda, permanece inabalável. Essa é uma grande diferença que há entre Deus e a criatura. O teólogo Herman Bavinck afirmou que “o contraste entre ser e vir a ser assinala a diferença entre o Criador e a criatura. Toda a criatura está continuamente vindo a ser. É mutável, vive em constante confusão, busca repouso e satisfação, e encontra repouso em Deus, e só nele, pois só ele é puro ser e não vir a ser”.

Ele é INFINITO.  Está livre de toda limitação. Não está sujeito ao espaço-tempo como falamos. Tal atributo também está ligado a sua imensidade, o ser divino “ultrapassa” todo o universo.

Ademais, DEUS É UM. Existe um único Deus que é a origem de todas as coisas. Deus não é composição e não está sujeito a divisão. Dessa unidade somos, por definição, monoteístas.

DEUS É TRINO. Grande dificuldade encontramos ao tentar compreender a doutrina da trindade. Como entender que Deus é UM e ao mesmo tempo SUBSISTE EM TRÊS “SERES”, PAI, FILHO E ESPÍRITO SANTO? Bem, não quero fazer um novo debate sobre o tema, mas desde Agostinho de Hipona o tema está definido e aceito pela Igreja, a doutrina é pura e reflete os ensinos bíblicos. Deus é Pai, Filho e Espírito Santo. Um Deus totalmente diferente de outros como Alá, Zeus, ou divindades unicistas como “Jeová” (No sentido que alguns o definem e não o Bíblico).

DEUS É ONIPRESENTE. Ele está em toda parte em que sua presença se acha necessário. Tem autonomia para estar onde queira e seu ser “preenche” o universo.

Ainda podemos dizer que DEUS É ONISCIENTE. Ele conhece tudo o que existe. Chafer disse que Deus conhece tudo porque ele a tudo criou. Logo, o oleiro conhece o vaso que fez! Um detalhe é que se não considerarmos a doutrina da criação divina para o universo tal argumento ficaria sem sentido. Mas, pelo contrário, se Deus não criou o universo, quem o fez? Outra força e poder maior e independente de Deus? Acreditar nessa possibilidade minaria toda a prerrogativa de que Deus é o Todo-Poderoso e o “Ser-além-do-que-nada-maior-pode-ser-concebido”! Seria, então, uma contradição crer em Deus nessas condições. Logo, Deus é o criador, e, portanto, conhece todas as coisas.

DEUS É ONIPOTENTE. Não há limitações para o poder de Deus. “Existe alguma coisa impossível para o Senhor?” (Gn 18.14) foi a pergunta que o Senhor fez a Abraão. Esse é um atributo que muitas vezes fica apenas no campo teórico. A cristandade tem bastante dificuldade prática em aceitar que Deus PODE realmente fazer todas as coisas. Até mesmo as que julgamos impossíveis.

Temos mais alguns atributos. DEUS É SANTO. Tal atributo diz respeito à sua separação em relação ao mal, à injustiça. Ele é totalmente excelente e todas as suas características são perfeitas e perfeitamente utilizadas. Não há nele mácula, falha alguma ou desvio.

DEUS também é JUSTO. Ele é reto. Seu juízo é perfeito e não comete erros. Além disso, Ele mesmo é o parâmetro de justiça.

DEUS É AMOR. Tal doutrina é difícil. Carson até escreveu um livro com o título “A difícil doutrina do amor de Deus”. Por que difícil? Por que é mal compreendida. No sentido humanista, temos a tendência de converter o amor santo de Deus em um sentimento barato e libertino. Contudo, o verdadeiro amor de Deus é caracterizado pela doação de misericórdia e graça zelosa, tudo isso mesclado e dosado por sua justiça. A questão do amor e da justiça em Deus não podem ser vistos separadamente. O amor de Deus é justo e sua justiça é em amor.

Assim, terminamos nossa pincelada sobre os atributos de Deus. Claro que estamos longe de perscrutarmos toda a riqueza de cada um deles e mais longe ainda de conhecermos plenamente nosso Deus, pois é infinito; contudo, o que nos alcança é suficiente para encher nossos olhos e palpitar nosso coração em reverência diante da grandiosa Majestade do Senhor.


Que o Senhor seja louvado e reconhecido em todos seus atributos.

sexta-feira, 27 de janeiro de 2017

FLORES, AMORES E ARDORES!



A ação do prefeito de Ariquemes-RO, Thiago Flores, está causando e recrudescendo, novamente, a polêmica da questão homossexual. Ele juntamente com 12 vereadores decidiram suprimir conteúdo da IDEOLOGIA DE GÊNERO dos livros didáticos que foram distribuídos para o ensino fundamental, ou seja, para crianças e adolescentes.
A polêmica já vai longe – como de costume quando se mexe no assunto. Até o defensor magno da causa gay, deputado Jean Wyllys, se posicionou sobre o caso com um discurso indignado supondo um retrocesso à inquisição!
A reivindicação sobre os “direitos” dos homossexuais e sua livre expressão na sociedade pode ser analisada por diversas perspectivas. Gostaria de pontuar algumas situações – baseado em posicionamento teológico (não esqueça que a Teologia é uma ciência reconhecida e listada como uma grande área no CNPQ!) principalmente para os cristãos que defendem a disseminação do movimento homossexual e defendem inocentemente este discurso travestido de humanidade, civilidade e progresso!
Vamos lá:
1)    Deus criou homem e mulher e constituiu família a partir deles (Gênesis 1.27). Tal fato é reconhecido por nossa constituição federal artigo 226 e outros.
2)    As uniões homossexuais eram proibidas no Antigo Testamento, leia Levítico capítulo 18 pelo menos uma vez na vida e lembre-se de que preceitos morais do Antigo Testamento ainda valem no Novo Testamento.
3)    Sodoma e Gomorra foram destruídas por sua perversão moral. Só um fato para ilustrar, os anjos foram visitar Ló e resolveram pousar em sua casa. À noite, os homens da cidade queriam abusar dos anjos, ou seja, ter relações sexuais com os mesmos, o que foi imediatamente rechaçado, leia Gênesis capítulo 19 pelo menos uma vez na vida!
4)    Chegando ao Novo Testamento o discurso não muda. Não há um “modernismo” nos preceitos morais. Paulo na carta aos Romanos, capítulo primeiro diz: “...até as mulheres mudaram o modo natural de suas relações íntimas por outro, contrário à natureza; semelhantemente, os homens também, deixando o contato natural da mulher, se inflamaram mutuamente em sua sensualidade, cometendo torpeza, homens com homens, e recebendo, em si mesmos, a merecida punição do seu ERRO” (Versículo 26-27). Se não fizermos contorcionismos exegéticos, o texto é bem claro.
5)    O mesmo Paulo, em 1 Coríntios 6.10 enfatiza: “nem efeminados, nem sodomitas,...herdarão o reino de Deus” numa clara condenação à homossexualidade tanto ativa como passiva!
6)    Casamento na Bíblia é sempre entre homem e mulher. A família tem como base homem, mulher e filhos! Em especial, a monogamia foi exigida no Novo Testamento, assim temos, por exemplo: “É necessário, portanto, que o bispo seja irrepreensível, esposo de UMA SÓ MULHER, ...” 1 Timóteo 3.2.
Para sermos sucintos terminaremos por aqui, com tais “provocações”. Podemos concluir claramente que a Bíblia se opõe ao relacionamento entre pessoas do mesmo sexo. O que podemos inferir desse princípio quanto a ensinar crianças e adolescentes que a relação homossexual é normal, natural? Que cada um pode ser (em sua sexualidade) o que quiser? O que dizer sobre “antecipar” às crianças questões sexuais, às vezes antes mesmo que os pais e contrários aos princípios que os pais querem legar a seus filhos? Obviamente, uma inferência clara é que tal atitude também não deveria ser adotada.
DESTA FORMA, SOLIDARIZO-ME COM O PREFEITO E, NESTE SENTIDO, ELE TEM MEU TOTAL APOIO.
No mais, prezados, meu desejo é que não caiamos na conversa “bela”, revestida de “amor”, “tolerância” e “modernidade” pregada pelas ideologias seculares, lembremo-nos que nossa fonte de autoridade em questões de fé e prática é a Bíblia. Se você é cristão tal “cláusula” deve ser pétrea. Ainda que a “ciência” tente mostrar alternativas (não confio em determinadas conclusões especulativas dela!); ainda que a pressão popular seja grande em favor de um suposto modernismo de ideias; ainda que o Estado esteja curvado à ideologias (não comprovadas e calcadas em pensadores ateus), estejamos firmes em nossos posicionamentos sabendo que este é o melhor caminho para humanidade, o caminho traçado por Deus!
E não nos surpreendamos, pois está escrito: “Nos últimos dias sobrevirão tempos difíceis...” (2 Tm 3.1).

Que Deus nos ajude!

quinta-feira, 19 de janeiro de 2017

AS MARAVILHAS DA REVELAÇÃO DE DEUS NO SALMO 19



Salmo 19

Os céus declaram a glória de Deus; o firmamento proclama a obra das suas mãos.
Um dia fala disso a outro dia; uma noite o revela a outra noite.
Sem discurso nem palavras, não se ouve a sua voz.
Mas a sua voz ressoa por toda a terra, e as suas palavras, até os confins do mundo.
Nos céus ele armou uma tenda para o sol,
que é como um noivo que sai de seu aposento,
e se lança em sua carreira com a alegria de um herói.
Sai de uma extremidade dos céus e faz o seu trajeto até a outra; nada escapa ao seu calor.
A lei do Senhor é perfeita, e revigora a alma.
Os testemunhos do Senhor são dignos de confiança, e tornam sábios os inexperientes.
Os preceitos do Senhor são justos, e dão alegria ao coração.
Os mandamentos do Senhor são límpidos, e trazem luz aos olhos.
O temor do Senhor é puro, e dura para sempre.
As ordenanças do Senhor são verdadeiras, são todas elas justas.
São mais desejáveis do que o ouro, do que muito ouro puro;
são mais doces do que o mel, do que as gotas do favo.
Por elas o teu servo é advertido; há grande recompensa em obedecer-lhes.
Quem pode discernir os próprios erros? Absolve-me dos que desconheço!
Também guarda o teu servo dos pecados intencionais; que eles não me dominem!
Então serei íntegro, inocente de grande transgressão.
Que as palavras da minha boca e a meditação do meu coração sejam agradáveis a ti, Senhor, minha Rocha e meu Resgatador!

O salmo mostra um pouco da excelência da revelação geral e da revelação especial de Deus. Os céus e a lei de Deus são enfatizados. Os céus proclamam ao Senhor. Sua glória e esplendor. O universo é testemunha das obras da mão de Deus. Uma obra estampada e visível a todos. Por isso, todos serão indesculpáveis diante de Deus porque Ele se revelou. Deus existe e revelou sua majestade, divindade e poder! Ninguém poderá alegar que não teve conhecimento algum do Senhor. Todos nós o temos visto e ouvido pela natureza!

Da mesma forma, a lei do Senhor é perfeita e erradia a natureza santa de Deus. Notemos que além do salmista mostrar a excelência da lei do Senhor, ele faz questão de enfatizar seus benefícios para o homem. Assim, a lei do Senhor restaura a alma. Ela dá sabedoria aos simples. Os preceitos do Senhor alegram o coração. Fico imaginando se todos os cristãos tem tal experiência de ter alegria genuína na lei do Senhor. Ainda temos que o mandamento ilumina os olhos. Os juízos do Senhor são verdadeiros e justos, mais desejáveis do que o ouro. Outra realidade que notadamente devemos buscar é o desejo pelos juízos do Senhor e reconhecê-los como verdadeiros e bons. O salmista ainda diz que em guardar os mandamentos do Senhor há grande recompensa! Que maravilha! Deus é galardoador é recompensador dos que o temem! Não estamos falando de teologia da prosperidade ou barganha com Deus, é claro! Contudo, o próprio Senhor se agrada em recompensar os seus filhos conforme sua vontade.

Por fim, a lei do Senhor poderá nos fazer discernir nossas falhas, nossos pecados. Só ela tem esse potencial e característica. Por ela, então, somos admoestados para caminharmos em busca da perfeição. Assim, as palavras de nossos lábios e todo nosso coração serão agradáveis na presença do Senhor.


Deus nos abençoe.

domingo, 25 de dezembro de 2016

FOI ASSIM...


Como foi o nascimento de Jesus? Para responder a esta pergunta como cristão devemos nos basear nos relatos dos discípulos contidos nos evangelhos do Novo Testamento.
Vejamos o que escreveu o evangelista Mateus:
“Foi assim o nascimento de Jesus Cristo: Maria, sua mãe, estava prometida em casamento a José, mas, antes que se unissem, achou-se grávida pelo Espírito Santo. Por ser José, seu marido, um homem justo, e não querendo expô-la à desonra pública, pretendia anular o casamento secretamente. Mas, depois de ter pensado nisso, apareceu-lhe um anjo do Senhor em sonho e disse: ‘José, filho de Davi, não tema receber Maria como sua esposa, pois o que nela foi gerado procede do Espírito Santo. Ela dará à luz um filho, e você deverá dar-lhe o nome de Jesus, porque ele salvará o seu povo dos seus pecados’. Tudo isso aconteceu para que se cumprisse o que o Senhor dissera pelo profeta: ‘A virgem ficará grávida e dará à luz um filho, e lhe chamarão Emanuel’ que significa ‘Deus conosco’. Ao acordar, José fez o que o anjo do Senhor lhe tinha ordenado e recebeu Maria como sua esposa. Mas não teve relações com ela enquanto ela não deu à luz um filho. E ele lhe pôs o nome de Jesus”. (Mateus 1:18-25).
Com uma linguagem simples e objetiva Mateus nos traz uma narrativa clara sobre o nascimento de Jesus.

         FOI ASSIM O NASCIMENTO
           
            O evangelista começou seu texto expressando certeza acerca do nascimento de Jesus. Ele disse que “foi assim”. Não disse “poderia ter sido...”, “acreditamos que...”, “a igreja pensa que...” e nenhum outro tipo de declaração evasiva e incerta. Tal convicção é típica daquela classe de pessoas inspiradas por Deus. Sua narração se assemelha àquele tipo de confiança proclamada em outras partes da Bíblia e por outros autores sacros.
O apóstolo Paulo, por exemplo, certa vez disse sobre sua mensagem: “(...) tendo vós recebido a palavra que de nós ouvistes, que é de Deus, acolhestes não como palavra de homens, e sim como, em verdade é, a palavra de Deus, a qual, com efeito, está operando eficazmente em vós, os que credes”. (1 Tessalonicenses 2.13). Pedro também afirmou: “Porque não vos demos a conhecer o poder e a vinda de nosso Senhor Jesus Cristo seguindo fábulas engenhosamente inventadas, mas nós mesmos fomos testemunhas oculares da sua majestade”. (2 Pedro 1.16). O evangelista Lucas fez uma pesquisa sobre a vida de Jesus e pode escrever os fatos para que Teófilo tivesse “certeza das verdades em que foste instruído”. (Lucas 1.4).
            Assim, temos uma narração certa sobre o nascimento. Não estamos diante de mais uma versão, uma opinião ou uma ideia. O fato está posto, narrado, claro e nítido diante de nossos olhos.
            E por que a dificuldade em acreditar? E por que tantas críticas e reconstruções sobre a natividade? A resposta pode ser simples: por causa do milagre!

MARIA ACHOU-SE GRÁVIDA

            Não fosse a menção de que Maria era virgem e achou-se grávida pelo Espírito Santo talvez a narrativa não chamasse tanta atenção e não houvesse tamanha descrença por parte de alguns.
            O problema surgiu logo quando o milagre, o sobrenatural, a intervenção divina ocorreu. Ora, isso parte de um preconceito, de uma visão de mundo limitada e deliberadamente associada com uma postura anti-sobrenaturalista. Aí muitos tentam contorcer o texto e “explicar” que Maria não era virgem de verdade, que não houve uma concepção sobrenatural, que o discurso da Igreja distorceu os fatos, etc.
            Mas, assim como Mateus, não temos dificuldades em crer no ocorrido. A história, vista numa perspectiva meramente humana é realmente complicada de se aceitar. Contudo, não vivemos apenas na esfera humana. Não negamos a existência, realidade e o agir de Deus no universo. Assim, tal passagem não é diferente, em termos sobrenaturais, do que outras narradas nas Escrituras.
Por exemplo, Sara mulher de Abraão, era estéril, mas em sua velhice pode dar a luz! (Gênesis 21.1). Rebeca, esposa de Isaque sofria do mesmo mal. Contudo, também teve filhos (Gênesis 25.21). Ana, mãe de Samuel, também era estéril, mas teve filhos (1 Samuel 2.5). E, no contexto de Novo Testamento, temos o nascimento milagroso de João Batista (Lucas 1.7; 24). Todos estes casos não foram diferentes do caso de Jesus Cristo. Todos eles foram milagres.
Se aceitarmos estes milagres devemos aceitar igualmente o milagre do nascimento. Ou seja, a Igreja não conspirou para formar uma estória em torno de Jesus, pois ela não fez isso para todas as outras histórias de milagres de nascimento. Na verdade, a ocorrência de milagres sempre existiu na história salvífica do povo de Deus e apenas alcançou seu ápice no nascimento do Senhor.
           
O DILEMA DE JOSÉ

            José, segundo o relato, era homem justo. Mas, recebeu uma bombástica notícia de sua noiva. Ela estava grávida e José tinha certeza de que o filho não era seu. Como proceder? Denunciá-la e humilhá-la publicamente como tendo tido um relacionamento sexual impuro? Tal procedimento não estaria alinhado com a misericórdia de um homem justo! Continuar o noivado como se nada tivesse ocorrido e assumir o filho bastardo? Também não caberia a uma pessoa como José. O que ele decidiu fazer? Separar-se secretamente.
            Notemos que nem mesmo para um homem justo e piedoso a história do nascimento virginal foi fácil. Na verdade, não foi aceita. Não era palatável. Era indigesta. Uma gravidez inimaginável. Como assim grávida sem ter relações com homem? Como assim grávida do Espírito Santo?
            Nesse momento nos vem à mente o que Paulo disse aos Coríntios: “Ora, o homem natural não aceita as coisas do Espírito de Deus, porque lhe são loucura; e não pode entendê-las, porque elas se discernem espiritualmente”. (1 Coríntios 2.14).
            Conjecturemos que José passou por dois momentos. O primeiro, digamos, de “homem natural”. Aquele homem racional, que só enxerga as coisas materiais, que não se importa e não cogita das coisas de Deus. O segundo momento foi após a visita em sonho do Anjo do Senhor. Nesse encontro, que foi um divisor de águas, José passou à realidade de “homem espiritual”. Aquele que compreende as coisas de Deus. Se curva diante da vontade do Senhor. Aquele que é crente e não incrédulo. Aquele que diz: “Sim, Senhor, faça-se em mim a tua vontade!”.
            Após a intervenção divina, José não teve problema algum em receber Maria como sua esposa. E não teve problema em aceitar que o que nela estava sendo gerado era fruto do Espírito Santo. Ademais, ficou a seu cargo nomear o menino de Jesus, cujo significado é salvador! O texto ainda esclarece que José não teve relações com Maria até que ela tivesse dado à luz.

ALGO MAIOR

            O anjo disse a José que tudo o que estava acontecendo era para se cumprir o que o Senhor dissera pelo profeta: “A virgem ficará grávida e dará à luz um filho, e lhe chamarão Emanuel que significa Deus conosco”. O profeta em questão era Isaías. (Isaías 7.14). Ele viveu aproximadamente setecentos anos antes de Cristo! E profetizou fatos sobre a vida e obra do Messias.
            O apóstolo Pedro faz questão de enfatizar que toda mensagem profética das Escrituras não são produções humanas, mas a verdade revelada pelo Senhor: “(...) nenhuma profecia da Escritura provém de particular elucidação; porque nunca jamais qualquer profecia foi dada por vontade humana; entretanto, homens [santos] falaram da parte de Deus, movidos pelo Espírito Santo”. (2 Pedro 1.20-21). Logo, temos credibilidade na profecia de Isaías.
            Assim, chegamos num ponto em que a vida de Jesus Cristo não é apenas um fato isolado, ou o início de uma bela história em Belém da Judeia, mas o ápice de uma realidade muito maior, cósmica de fato!
            Envolve o Deus Todo-Poderoso, o Senhor Soberano da História, envolve a nação de Israel, os profetas e suas profecias. A lei de Deus e sua Palavra, culminando com sua graça, o Messias e a esperança futura. Envolve toda a Escritura e tudo que sabemos sobre a realidade de Deus, do universo e da humanidade.

FINALIZANDO

Temos a convicção de que o nascimento de Jesus Cristo aconteceu como foi relatado pelo evangelista e sem dúvida é o evento mais importante da história.
Trata-se do nascimento do Emanuel (Deus Conosco), daquele que veio para “salvar o seu povo dos seus pecados”.

Glória a Deus!