Frases

sexta-feira, 8 de setembro de 2017

O GUARDA DE ISRAEL


SALMO 121

Levanto os meus olhos para os montes e pergunto: De onde me vem o socorro?
O meu socorro vem do Senhor, que fez os céus e a terra.
Ele não permitirá que você tropece; o seu protetor se manterá alerta,
sim, o protetor de Israel não dormirá, ele está sempre alerta!
O Senhor é o seu protetor; como sombra que o protege, ele está à sua direita.
De dia o sol não o ferirá, nem a lua, de noite.
O Senhor o protegerá de todo o mal, protegerá a sua vida.
O Senhor protegerá a sua saída e a sua chegada, desde agora e para sempre.
Salmos 121:1-8

Levantar os olhos é símbolo de busca por ajuda. O homem quando solapado por seus problemas e crises reage, como que instintivamente, por reflexo, buscando opções de refrigério, de solução para seus males. O ato de reagir, de se movimentar, de fazer algo, mesmo quando não se tem muitas alternativas, é próprio do ser humano.
Olhamos para diversos lugares e em diferentes direções. Vislumbramos muitas possibilidades, alternativas aparentemente boas e grandiosas que podem nos valer a solução para nossa vida, a resolução de nossos conflitos. Enxergamos os montes. Opções grandiosas, que estão à nossa visão e alcance, contudo representam obras humanas, obras imperfeitas e que não trazem o alento necessário para nossa alma. São montes que estão estáticos e infrutíferos, que tem estética e aparência, mas não envolvem e acalentam. Não são pessoais, humanos, próximos, sábios, conselheiros e, muito menos, guardas. O pior de tudo, não são DEUS! Não merecem nem mesmo o olhar. Logo, ao invés de olharmos para os montes deveríamos olhar acima dos montes.
O olhar deve apontar primariamente para DEUS, o Senhor. Nosso socorro vem do Senhor! A Ele devemos mirar nossa atenção e nele esperar por todas as coisas. Ele é o provedor, o Senhor que sustenta todo o Universo com a palavra do seu poder. Além disso, não é um deus qualquer. O salmista deixa claro de quem está falando. O Senhor é aquele que fez os céus e a terra! Ou seja, invocamos, adoramos e confiamos no Senhor Deus Todo-Poderoso. O Senhor que com suas mãos teve a potência de criar todas as coisas. Será que o Deus que tudo criou não pode suprir as necessidades de suas criaturas? Será que não é adequado buscar auxilio e suprimento no Senhor que fez o céu e a terra e não em qualquer outra criatura limitada e incapaz? A resposta é afirmativa para ambas as perguntas.
Quando nosso coração e mente estão firmados no Senhor, algo novo acontece em nosso caminhar cristão. O Guarda de Israel tem o prazer de nos sustentar e conduzir. Não permanecemos como pessoas desamparadas, desgarradas, sem eira nem beira. Temos um caminho, temos um destino e um protetor. O caminhar, poderá não ser totalmente suave e imune as adversidades; as forças poderão fraquejar a ponto de nos fazer cambalear, contudo, a garantia é de que não tropeçaremos, pois o Senhor estará atento para nos guardar.
O Guarda de Israel se mantem em alerta constantemente. Ele não dorme nem cochila. Ou seja, não é como os outros deuses que tem suas necessidades e carências, que se cansam e precisam dormir, se ausentar da realidade. Não, Deus não é homem ou filho de homem para ter tal limitação física de cansaço e sono. O Senhor não precisa de olhos para ver, nem de ouvidor para ouvir, de músculos para sua força nem mesmo de sono para reparar o cansaço. O Senhor é Espírito e todo suficiente. O Senhor não dorme nem cochila!
O Senhor, portanto, é um protetor digno de respeito, pois suas qualidades o apontam como o melhor protetor jamais existente, incansável e sempre alerta. Ademais, ele é como uma “sombra a tua direita”. É o Senhor próximo; não está distante ou afastado de nossa realidade. É o Senhor imanente (e transcendente também) que age em, sob e através da sua criação. O socorro, portanto, está à direta. Ou seja, ao alcance, próximo, pois o próprio Deus não está distante, pois “nele nos movemos e existimos”. À sombra à direita é lugar de descanso ante os fritantes raios solares. É símbolo de saída, resgate, solução, escape, resposta, alternativa e refúgio.
Assim, o “sol” não irá nos molestar nem a “lua” nos importunar. Sol e lua, símbolos gerais para todos as espécies de intempéries. De dia ou de noite, e sob quaisquer ocasiões e desafios que possam surgir, o Senhor nos será sombra à direita. Conduzirá nossa saída e nossa chegada. Guiará nosso comboio livrando os males, assim como Israel teve um grande protetor, que lhes valeu na saída de Egito e esteve presente na chegada à Canaã; o Senhor estará conosco guardando-nos à frente e atrás. Iniciando e concluindo os processos, abrindo e fechando, inaugurando e concluindo.
Em resumo, podemos dizer que o Senhor é o Guarda de Israel, é também nosso protetor de todo mal, e aquele que guarda a nossa vida hoje e para sempre.

Confiemos no SENHOR.

quinta-feira, 13 de julho de 2017

BOTALHA ESPIRITUAL


Não, não há um erro gramatical no título! Na verdade, a ideia foi fazer realmente um trocadilho de BOTA com BATALHA ESPIRITUAL inspirado por conta de uma declaração antiga da cantora gospel Ana Paula Valadão ao fazer alguns anúncios a respeito da gravação do 13° DVD do Diante do Trono que ocorreria em Barretos. O vídeo foi bastante comentado e conhecido no meio evangélico principalmente pelas críticas sofridas. O mesmo está sendo ressuscitado simplesmente para tratar de um tema que não quer ser sepultado: a Batalha Espiritual, compreendida nos moldes neo-pentecospais.

Bem, de antemão gostaria de afirmar que não tenho nada contra aquelas pessoas, nem contra seu trabalho, e desejo sinceramente sucesso à medida que representem e expandam legitimamente o reino de Deus. Quero comentar sobre alguns entendimentos espirituais subentendidos nas declarações, mas de forma que não precise me desculpar posteriormente. Quero apenas salientar algumas posturas que acredito ser equivocadas e que influenciam muito a cristandade, principalmente o povo Batista Nacional, ao qual faço parte pela única e incompreensível graça e soberania de Deus.

O vídeo traria muitas possibilidades de comentários, seriam muitos detalhes a considerar e realmente haveria muitos equívocos, contudo, gostaria de concentrar naquilo que penso ser mais pernicioso, a declaração mais nefasta para uma espiritualidade saudável.

A cantora disse que o Senhor a levou a comprar uma bota de couro de píton. No seu entendimento tal ação seria “profética”. Depois, a tal bota estaria diretamente ligada aos desafios posteriores pelos quais ela passaria. Aí entra a parte que considero principal, ela teria ido visitar um “grande ministério de adoração no mundo” e eles estavam enfrentando um principado de piton, eles estariam fazendo um estudo sobre esse principado. A cantora teria sido avisada por Deus para trocar a sandália que usava pela bota de píton ao ir se encontrar com o ministério e ela teria alcançado, portanto, vitória.

            Todo o enredo e mais a declaração principal indicam o tipo de entendimento de batalha espiritual que ela acredita. Um tipo bem característico dos movimentos neo-pentecospais. Ou seja,

1)    veem demônio em tudo! A distorção no entendimento da batalha espiritual gera quase que crentes esquizofrênicos. Costumam ver o demônio em tudo! As forças sobrenaturais e o envolvimento espiritual seriam contínuos. Assim, não restaria o âmbito do natural. Um ministério, por exemplo, que estivesse passando dificuldade por conta de má administração ou mesmo corrupção dificilmente seria interpretado nestes termos, mas, logo a explicação seria que estaria passando por uma luta contra o principado da píton, o principado do jacaré, do chimpanzé, sei lá. Esquecemos que a maioria dos eventos do nosso dia a dia são naturais. Eu leio a Bíblia porque aprendi a ler e é um ato natural. Vou trabalhar e é um ato natural. Meu chefe é “ruim” e, acredite, isso é a natureza dele, a personalidade dele, é natural. Volto e durmo à noite e isso também é natural. Vou à igreja, oro, canto, ouço, tudo natural. Não costumo tropeçar em demônios, nem cumprimentar anjos. Deus também está nas coisas naturais! Não digo que não haja ocasiões difíceis e não anulo a real ação do Maligno, pois a Bíblia afirma tais coisas, mas não significa que em todo momento esteja lá o tinhoso! Reparem nas palavras desse povo, tudo tem que envolver um “tá reprendido”, “tá amarrado”, “eu determino”, etc. Tudo é na base do espiritual. Se um cachorro se engasta, é obra do demônio. Já vi pessoas orarem nestes termos, por causa da opressão demoníaca nas trivialidades dos animais.

2)    fazem um dualismo irrestrito. Dualismo é uma visão que divide a existência em dois poderes, do bem o do mal. Assim, o mundo existiria sempre diante do conflito entre o bem e o mal. Mas, isso é maniqueísmo, ou seja, uma antiga heresia. Não existe uma disputa cósmica entre o bem e o mal. Há UM só poder que governa todas as coisas: Deus. Todas as coisas acontecem mediante a vontade do Senhor. Devemos acreditar realmente na soberania do Senhor. Assim, podemos ficar tranquilos diante da vontade de Deus, pois ele é quem cuida de nós. E mesmo quando ele permite como no caso de Jó, o “ataque” do inimigo estaria visando um bem maior. Ou seja, nossa disposição diante da realidade seria confiar no Senhor e crer que todas as coisas estão debaixo do seu poder! Viver numa constante guerra e traçando estratégias a todo o momento para que o bem vença o mal seria uma atitude esgotante e infrutífera. Acredite, Deus não precisa disso e você tem coisa mais importante para fazer!

3)    valorizam a atividade do maligno. A cantora falou que o tal ministério estava fazendo um estudo sobre o principado de píton. Isso é valorizar demais a ação maligna, se é que existiria realmente tal investida. Estudar sobre o principado X, Y e Z? Nunca vi tal orientação na Bíblia! Daniel, por exemplo, que é muito comentado por conta de sua oração e da batalha do anjo com o demônio, passou longe de fazer uma loucura dessas. Ele estava orando e pedindo perdão pelo seu povo, simples assim. Ele não tomou parte em estratégias ocultados, em estudar as ações malignas, etc. O apóstolo Paulo, igualmente, nunca orientou e nem mesmo realizou em suas ações missionárias estudos e estratégias contra os principados. Na verdade, ele mencionou a existência deles, mas sua orientação à Igreja foi sempre viver a verdade, a Palavra, fugir do pecado e crescer em santidade, o resto era com o Senhor. Gálatas, por exemplo, fala muito contra as obras da CARNE. Ou seja, um dos maiores problemas que enfrentamos. Efésios 6, o mais conhecido, citado e mal interpretado texto de “batalha espiritual” fala que nossas armas seriam: verdade, justiça, salvação, Palavra de Deus, e a pregação do evangelho. Não encontro a arma: estudar o principado de píton! Ou estudar o inimigo qualquer que seja ele. A igreja não tá conseguindo nem ler a Bíblia vai perder tempo estudando o principado do capeta? Aí perdemos tempo com essas coisas e deixamos outros imensuravelmente mais importantes de lado. Se não, vejamos:
Quem domina as línguas originais da Bíblia para uma melhor exegese? Quem já leu a Bíblia toda? Quem já leu bons escritores cristãos que expõem com riqueza e profundidade o texto bíblico e teologia saudável como: A. B. Langton, Charles Hodge, A. A. Hodge, Louis Berkhof, Bancroft, Millard Erikcon, Wayne Grudem, Stanley, Shedd, Luiz Sayão, John Piper, John Macartur, Alister, Augustus Nicodemus, Franklin Ferreira, Wilson Porte, Jonas Madureira, D. A. Carson, Hernandes Dias Lopes, Itamir Neves, C. S. Lewis, Agostinho, Lutero, Cavino, Strong, Geoge Ladd, Gerard Von Rad, Kaiser, Norman Geisler, A. W. Pink, A. W. Tozer, Abraham Kuyper, Antony Hoekema, Spurgeon, J. C. Ryle, J. I. Packer, Joel Beeke, John Bunyan, John Sttot, Josh MCdowel, Mark Dever, Martin Lloyde Jones, Mauro Maister, Paul Washer, R. C. Sproul, Richard Baxter, Willian Hendriksen, e milhares de outros... Quem já fez um estudo sério em relação aos Credos e às Confissões de Fé produzidas pela Igreja? Conhecemos o Credo dos Apóstolos? O de Nicéia? De Calcedônia? De Constantinopla? Já fizemos análises das confissões de fé tais como: Catecismo e a Confissão de Fé de Genebra (1537), Confissão de Fé da Guanabara (1555), Confissão Galicana (1559), Confissão Escocesa (1560), Confissão Belga (1561), o Catecismo de Heidelberg (1563), 2ª Confissão Helvética (1566), os 39 Artigos da Igreja Anglicana (1571), Cânones de Dort (1619), a Confissão e os Catecismos de Westminster (1647)? Estamos perdendo uma riqueza de contribuição dessa envergadura, que aponta para como obedecer e glorificar a Deus para estudar o principado de píton? É brincadeira, não?

4)    se esquivam da responsabilidade pessoal. O equívoco no entendimento da batalha espiritual anula, de certa forma, a responsabilidade pessoal. Paulo sempre enfatizou que a nossa natureza pecaminosa é que deve ser combatida. Quando repreendeu a igreja aos Coríntios contra divisões, incesto, imoralidade, etc, sempre apelou para a consciência das pessoas com o intuito delas deixarem SEUS PECADOS. Não mandou a igreja fazer corrente tal, repreender o demônio Y, mas, disse, em outros termos, para os pecadores tomarem “vergonha na cara”. Assim, devemos deixar de culpar a “pomba gira” por conta do adultério do irmãozinho, porque no juízo final o adultério será imputado a ele e não ao demônio!

5)   perdem tempo em não se devotar mais integralmente ao Senhor e à sua bendita vontade. Ao invés de longos estudos, congressos, cursos, palestras, rituais e outros elementos acerca de demônios, batalhas e afins, por que não usamos nosso tempo mais integralmente ao Senhor? Por que não ler mais a Bíblia? Fazer mais cultos familiares? Culto pessoal? Por que não ler bons comentários bíblicos? Por que não ler bons autores cristãos com frequência (já lemos pelo menos uns 10 daqueles citados anteriormente)? Por que não realizar mais visitas aos irmãos da igreja? Por que não se envolver mais efetivamente em algum ministério da igreja? Por que não trabalhar mais com as crianças? Com os jovens? Adultos? Por que não discipular os vizinhos? Por que não ser mais frequente aos cultos? Por que não escrever devocionais e enviar constantemente para parentes, familiares e amigos mostrando a riqueza do evangelho, o plano de salvação do Senhor? Por que não se envolver mais efetivamente com missões? Por que não aprender grego e hebraico? Por que não aprender hermenêutica bíblica? Por que não fazer um estudo panorâmico do Antigo Testamento? Quem foi o autor do livro de Samuel? Quais as implicações teológicas do Pentateuco para nossas vidas hoje? Qual a escatologia contida em Daniel? Oseias tem algo a falar para nós hoje? Qual a Cristologia traçada por Isaías? E quanto ao Novo Testamento? Que tal fazer uma análise dos sinóticos? Qual a principal proposta do evangelista João? Compreendemos o Apocalipse, minimamente que seja? Quais as orientações dos apóstolos em relação aos falsos profetas? Enfim, estamos preferindo gastar nossas vidas nas lutinhas contra os principados de píton, do que se aprofundar no conhecimento e vivência com Deus. Lamentável!

Bem, por estas e outras acredito haver um grande equivoco no entendimento da batalha espiritual na visão neo-pentecostal endossada pela cantora conforme suas declarações dão a entender. Note bem, minha questão é quanto ao princípio teológico.
Sinceramente, espero que tenhamos maior maturidade diante da questão. Não falo apenas para levantar polêmica, mas, com a utópica vontade de que haja crescimento em nosso meio cristão, e, principalmente, Batista Nacional.

Podemos ser um povo avivado, abençoado, cheio do carisma de Deus e, ao mesmo tempo, firme e estabelecido nas Escrituras.

sexta-feira, 16 de junho de 2017

A DESCONSTRUÇÃO DA MALDIÇÃO


Os adeptos da teoria da maldição hereditária não se cansam de propagar seus falsos ensinos. Normalmente se utilizam de palestras, pregações e livros para divulgar a ideia que já deveria ter sido sepultada desde a década de 90 do século passado. O fato é triste e só contribui para o empobrecimento da Igreja.

Segundo alguns, a maldição hereditária advoga que: “(...) se alguém tem algum problema relacionado com alcoolismo, pornografia, depressão, adultério, nervosismo, divórcio, diabete, câncer e muitos outros, é porque algum antepassado viveu aquela situação ou praticou aquele pecado e transmitiu tal pecado ou maldição a um descendente. A pessoa deve então orar a Deus a fim de que lhe seja revelado qual é a geração no passado que o está afetando. Uma vez que se saiba qual, pede-se perdão por aquele antepassado ou pela geração revelada e o problema estará resolvido, isto é, estará desfeita a maldição”[1].

O texto mais usado para dar base à chamada maldição hereditária é Êxodo 20:4-6: “Não farás para ti imagem de escultura, nem semelhança alguma do que há em cima nos céus, nem em baixo na terra, nem nas águas debaixo da terra. Não as adorarás, nem lhes darás culto; porque eu sou o SENHOR teu Deus, Deus zeloso, que visito a iniqüidade dos pais nos filhos até à terceira e quarta geração daqueles que me aborrecem, e faço misericórdia até mil gerações daqueles que me amam e guardam os meus mandamentos”.

Contudo, uma interpretação adequada do texto mostrará que não é possível tirar as conclusões da maldição hereditária do mesmo. Tentaremos mostrar, portanto, que mais uma vez, alguns líderes estão compartilhando heresias importadas dos EUA, baseadas no empirismo místico em detrimento de uma coerente interpretação e aplicação bíblica. Se não, vejamos.

O primeiro ponto a se observar é que o contexto de Êxodo 20:4-6 traz uma advertência contra idolatria. Não farás para ti imagem de escultura. Logo, qualquer análise séria do texto deverá levar esse plano de fundo em consideração. Quando o texto fala da “iniquidade dos pais nos filhos” será que não está se referindo à idolatria? Ou a problemas de adoração ao verdadeiro Deus? Logo, de forma alguma é possível generalizar o sentido do texto para caber qualquer pecado: alcoolismo, adultério, pornografia, etc. O texto não fala disso.

Depois, um aspecto despercebido por muitos, é que o “Deus zeloso” é o agente da ação. Eu sou o SENHOR teu Deus, Deus zeloso. Ele é quem faz e executa a obra de “visitar” os filhos. Ora, isso é muito diferente do que a corrente da maldição hereditária afirma. Pois, lá quem age é Satanás e seus demônios aprisionando as pessoas nos pecados dos ancestrais! Lá, Deus deve ser invocado para desamarrar o que o diabo aprisionou. Mas, aqui, em Êxodo, é o próprio Deus quem age! É o “Deus zeloso” que faz com que os homens e sua idolatria sejam punidos.

Outra parte mal compreendida é: “visito a iniquidade dos pais nos filhos até à terceira e quarta geração”. O texto tem suas dificuldades próprias e uma das recomendações básicas de uma boa interpretação é que um texto obscuro deve ser entendido a partir de uma base mais clara. Além disso, a Bíblia não pode contradizer-se a si mesma, ou seja, quando houver uma analogia bíblica em conflito, o intérprete deverá se esmerar para que sua interpretação seja autêntica e harmonize as aparentes discrepâncias. Seguindo tais recomendações, vemos que se “visito a iniquidade dos pais nos filhos” for interpretado como uma maldição que passa de pai para filho, entrará em aparente contradição com Ezequiel 18:1-9: “E veio a mim a palavra do SENHOR, dizendo: Que pensais, vós, os que usais esta parábola sobre a terra de Israel, dizendo: Os pais comeram uvas verdes, e os dentes dos filhos se embotaram? Vivo eu, diz o Senhor DEUS, que nunca mais direis esta parábola em Israel. Eis que todas as almas são minhas; como o é a alma do pai, assim também a alma do filho é minha: a alma que pecar, essa morrerá.” Pois Ezequiel mostra que o pecado, a culpa e o juízo é individual. Mostra que o pecado dos pais não terá efeito e cobrança direta nos filhos! Como compreender, então, a aparente contradição? Precisamos analisar o texto mais complicado à luz do mais claro. Obviamente, Ezequiel apresenta um texto bastante simples e claro. Logo, revisitaremos Êxodo, em busca de soluções. Eis algumas considerações do o texto de Êxodo em questão: 1) “fica claro que Deus não pune os filhos por causa das ofensas de seus pais, mas se os filhos cometerem o mesmo pecado de seus pais, serão punidos da mesma maneira (‘daqueles que me aborrecem’)”[2]. 2) “É verdade que os filhos que repetem os pecados de seus pais têm toda a possibilidade de colher o que seus pais colheram.”[3]. “Ezequiel está falando que a culpa que os pais têm, por terem pecado, não se transfere para os filhos; mas Moisés referia-se às conseqüências dos pecados dos pais, dizendo que estas passam para os filhos. Infelizmente, se um pai é alcoólatra, os filhos poderão sofrer abusos e até mesmo a pobreza. Da mesma forma, se uma mãe contrai Aids pelo uso de drogas, então o seu bebê pode nascer com Aids. Mas isso não significa que aquela criança inocente seja culpada dos pecados de seus pais”[4]. Observa-se nos comentários acima que duas são as opiniões preponderantes acerca do texto: os filhos pecam da mesma forma que os pais, e os filhos sofrem as consequências naturais, e não espirituais, dos pecados dos pais. Em ambos os casos, não há uma maldição hereditária! Esse é o consenso geral do cristianismo protestante.

Não nos esqueçamos de que tudo isso está relacionado com “aqueles que me aborrecem”. Em hipótese alguma se aplica a um servo do Senhor, fiel e obediente a sua Palavra. É oportuno vermos a tradução da NTLH sobre essa parte: “Eu castigo aqueles que me odeiam, até os seus bisnetos e trinetos”[5]. Diferentemente, aqueles que são de Deus, que fazem sua vontade, o texto afirma que a bênção do Senhor os acompanhará e suas consequências naturais se espalharão por mil gerações.  A proposta da quebra de maldições para crentes, então, fica sem fundamento. A maldição hereditária, se existisse, no máximo, alcançaria o ímpio.

Por fim, esperamos ter ficado claro neste pequeno texto a impossibilidade de tal doutrina estar correta, pelo menos na medida em que se baseia em Êxodo 20:4-6. Ademais, alertamos a Igreja para não se fazer preza de vãs filosofias e sutilezas da mentira.

Que Deus tenha misericórdia de nós!



[1] ROMEIRO, Paulo. Evangélicos em Crise: decadência doutrinária na igreja brasileira. São Paulo: Mundo Cristão, 1999. p. 81.
[2] DAVIDSON. F. O novo comentário da Bíblia. São Paulo: Vida Nova, 1997.
[3] ROMEIRO, Paulo. Evangélicos em Crise: decadência doutrinária na igreja brasileira. São Paulo: Mundo Cristão, 1999. p. 82.
[4] GEISLER, Norman, HOWE, Thomas. Manual Popular de dúvidas, enigmas e “contradições” da Bíblia. São Paulo: Vida, 2001.
[5] BÍBLIA DE ESTUDO NOVA TRADUÇÃO NA LINGUAGEM DE HOJE. Barueri-SP: SBB, 2005.

domingo, 14 de maio de 2017

UMA MÃE AGRACIADA POR CRISTO

Fonte imagem: www.google.com

Lucas 7.11-17

INTRODUÇÃO

Hoje é reconhecidamente um dia especial. Comemoramos o dia das mães, e a Bíblia tem muitos textos que falam sobre mães. Um deles, bastante notável, e que iremos meditar neste momento, é o encontro de Jesus Cristo com uma mãe que passava por sérios problemas. Na verdade seu filho havia morrido e grande era a dor que ela vivia naquela ocasião. Veremos qual foi a reação de Jesus Cristo e tiraremos algumas lições do acontecimento.

I – As condições tristes e os momentos funestos que vivemos por causa do pecado!

O versículo 12 (v. 12) de nosso texto afirma que “saía o enterro do filho único de uma viúva”. A ocasião não era das melhores. Uma morte sempre é muito dolorosa e quebranta os corações. É um momento de extrema tristeza e dor. Uma das maiores angústias pelas quais passamos realmente é quando nos deparamos com a morte de um ente querido. Ficamos impotentes diante da situação. Nada podemos fazer para mudar o quadro.

Essa mãe estava passando pela triste situação de ter que enterrar um filho, seu único filho! Há um agravo extra na condição dela. Além do filho, ela tinha também perdido o marido. Tinha experimentado duas grandes perdas em sua vida. E agora estava só. Seu marido havia partido, e seu único filho também havia morrido. O teólogo A. T. Robertson citando Burton Scott Easton afirma em seu comentário sobre o evangelho de Lucas: “A morte do único filho de uma viúva era a maior desgraça imaginável”. Ainda o teólogo A. T. Robertson nos explica que o termo viúva (chra) se origina de (choV), destituída. O que dá mais força à emoção. Imaginemos o que se passava no coração dessa mãe e como estava sua vida naquele momento.

Numa perspectiva bíblica podemos dizer que tais angústias nos sobrevêm por causa do pecado. Direta ou indiretamente são consequências da queda. O apóstolo Paulo nos fala em Romanos 5.12 que “assim como por um só homem entrou o pecado no mundo, e pelo pecado, a morte, assim também a morte passou a todos os homens, porque todos pecaram”.

Realmente os efeitos do pecado são funestos, terríveis. A dor, sofrimento, a condição miserável da sociedade, as maledicências, a inveja, os assassinatos, as brigas, intrigas, as doenças e por fim a morte (Rm 1.28-32). As consequências de nos distanciarmos de Deus são fortes demais. Ao nos distanciarmos de Deus só encontraremos realmente a morte, pois, automaticamente, estaremos nos distanciando da vida. Então, ao ver uma ocorrência como esta não podemos simplesmente desconsiderar o efeito do pecado. Mas, que sirva de lição para a humanidade: sem Deus o que impera é a morte!

II – A compaixão de Jesus Cristo

No momento em que Jesus Cristo estava entrando na cidade coincidiu de o enterro do filho dessa mulher estar acontecendo. Jesus presenciou o fato, e, como seria comum a qualquer pessoa, teve compaixão!

Jesus Cristo conseguiu sentir a dor da mulher, se colocou no lugar dela e percebeu a dimensão de seu sofrimento. O fato nos mostrou um pouco da humanidade de Jesus, pois sabemos que ele foi completamente humano. Assumiu a natureza humana, para se identificar inteiramente conosco e poder realmente promover nossa salvação substitutiva.

Assim, o que veremos a seguir, a ação de Jesus Cristo, foi impulsionada por seu sentimento, por sua compaixão. O Senhor não agiu simplesmente para ensinar algo, de modo didático, não agiu para autenticar seu ministério ou sua palavra como verdadeira. Agiu por compaixão. Simplesmente porque viu uma pessoa sofrendo muito e teve pena de tal condição.

Isso nos fala muito ao coração, porque amplia de certa forma, nossa visão sobre o agir de Deus em nossas vidas. Além de o Senhor agir de diversas maneiras, para nos ensinar, nos corrigir, mostrar sua glória, ele também o faz simplesmente por compaixão de nossa situação. Que possamos confiar sempre no Deus que tem compaixão de nós.

III – Não chores!

Jesus disse a mulher: “Não chores!” (v. 13). Essa palavra é consoladora, mas também profética. Só Jesus poderia tê-la dito naquelas circunstâncias. Ninguém pode chegar para uma pessoa enlutada e dizer não chores, simplesmente porque ninguém consegue resolver o problema da dor da pessoa. Na verdade, nosso conselho comum é: “chore, será bom pra você”.

Falar não chore poderia suscitar até uma resposta atravessada, a pessoa poderia simplesmente perguntar: “Como assim não chore? Você não sabe do meu sofrimento e da minha dor? É insuportável e ninguém pode fazer nada para sará-la e você diz simplesmente para não chorar, como se nada estivesse acontecendo?”.

Mas, Jesus não era qualquer um. E sua palavra: “não chore” não era apenas retórica. O texto prossegue e afirma que Jesus chegou ao esquife (urna funerária, caixão) e “parando os que o conduziam, disse: Jovem, eu te mando: levanta-te! Sentou-se o que estivera morto e passou a falar; e Jesus o restituiu a sua mãe”   (v. 14).

Jesus Cristo pode dizer não chores a qualquer um, pois ele é o Senhor de todas as coisas e pode resolver qualquer situação. Na verdade, ele é quem finalmente e definitivamente “enxugará dos olhos toda lágrima” (Ap 21.4). Não é à toa que ele chama a todos dizendo: “Vinde a mim, todos os que estais cansados e sobrecarregados, e eu vos aliviarei” (Mt 11.28). Simplesmente porque ele realmente pode.

IV – O infinito poder de Jesus Cristo

Jesus, “parando os que o conduziam, disse: Jovem, eu te mando: levanta-te! Sentou-se o que estivera morto e passou a falar; e Jesus o restituiu a sua mãe” (v.14). O texto mostra o infinito poder de Jesus Cristo! Sem nenhuma dificuldade, somente com uma palavra, assim como todas as coisas que são operadas por Deus, o que estivera morto ressuscitou.

A morte não teve poder para segurar o jovem. Além de o texto nos mostrar o poder de Jesus, mostrou que esse poder é infinito. Somente Deus poderia ter tal força de romper até mesmo contra a morte. O Senhor se mostrou, nesta atitude, como nosso Deus, ou seja, aquele que tem todo poder. Essa obra somente o próprio Deus poderia fazer.

Jesus mostrou seu poder em outras ocasiões. Mandou a tempestade se acalmar (Lc 8.24). Curou cego (Jo 9.7), coxo (Jo 5.8) e outros enfermos (Lc 4.40). Ressuscitou mortos (Jo 11.43-44). Enfim, mostrou que toda criação está sob seu poder. Ele é o Senhor. Podemos confiar e crer que para Deus não há impossíveis. Para Jesus Cristo não há nada que ele não possa fazer.

Nossa visão a respeito de Jesus às vezes é muito limitada. Não enxergamos como deveríamos, ou seja, percebendo que nosso Senhor é o Todo-Poderoso. Não há problema insolúvel, não há situação demasiada difícil. Tudo é possível ao Senhor. Ele pode mudar os ventos, transformar água em vinho, e morte em vida. Basta uma palavra do Senhor. Basta seu querer e tudo será feito. Clamemos ao Senhor com a convicção de que tudo é possível para ele. Depositemos nossa vida diante dele sabendo que o mais ele fará. Confiemos nosso destino em suas mãos sabendo que estamos seguros, pois de sua mão ninguém poderá nos arrebatar. Somos ovelhas bem cuidadas e protegidas.

V – Glória a Deus

Vendo isso todos temeram a Deus e deram glória ao seu nome. Diziam: “Grande profeta se levantou entre nós; e: Deus visitou o seu povo” (v.16). É quase impossível reter o louvor diante de um fato como esse. Diante de uma demonstração de poder, misericórdia e compaixão como essa.

Podemos fazer o mesmo, glorificar ao Senhor! Pois, da mesma maneira que o Senhor teve compaixão daquela mãe, ele continua tendo compaixão de nós. Seus olhos estão atentos e seus milagres também nos alcançam cotidianamente. O Senhor é o mesmo ontem e hoje.
A ação pode não ser tão vultosa como a ressurreição de um morto, mas tão importante quanto, pois nos traz vida e a vida em abundância.

Devemos glorificar a Deus sabendo que milagres tão importantes quanto este visto são frequentemente feitos quando uma alma se converte e, de fato, passa da morte para a vida. Quando nossos parentes são alcançados pelo Senhor, realmente uma obra milagrosa nos foi concedida. A compaixão de Deus nos alcançou com certeza. O Senhor continua agindo no meio do Seu povo. O Senhor continua salvando. Glória ao Senhor para sempre.

CONCLUSÃO

O Senhor olhou para aquela mãe e com compaixão mudou sua sorte. Restituiu a vida a seu filho e lhe transformou a tristeza em grande alegria. Jesus Cristo pôde dizer “não chores!”. O Senhor tem todo o poder para mudar e transformar vidas. É o que ficou nítido.

Que nós mantenhamos sempre a melhor visão a respeito do Senhor, sabendo que ele é misericordioso, tem compaixão de nós, tem todo o poder e nos abençoa com sua graça e seus milagres sem fim.


Glória, pois, ao Senhor, para sempre!

domingo, 7 de maio de 2017

PAULO: O NASCIMENTO DE UM MISSIONÁRIO


Perfil

O apóstolo Paulo foi um reconhecido cristão e apóstolo do Senhor.  Afirmou ter sido separado por Deus antes mesmo de nascer (Gl 1.15). Sobre seus pais não temos muitas informações, contudo é possível que seu pai tenha sido cidadão romano, pois tal cidadania foi herdada por Paulo. Paulo também se chamava Saulo. Conhecemos primeiramente o personagem pelo nome de Saulo (nome hebraico) e posteriormente é chamado de Paulo (nome romano) na Bíblia (At 13.9). Ele nasceu em Tarso, região da Cilícia. Teve esposa, irmã, sobrinho e outros parentes (At 23.16; Rm 16.7, 11). Culturalmente teve uma carreira brilhante. Fez uma “faculdade” e foi doutor da lei. Além disso, estudou teologia aos pés de Gamaliel (At 22.3) um dos maiores rabinos de Israel. Era cidadão romano e, por isso, tinha alguns direitos e imunidades, dentre eles não poderia jamais ser condenado à morte por crucificação e nem mesmo ser lançado na arena dos leões. Sua profissão era construtor de tendas que eram usadas pelos soldados romanos (At 18.3). Socialmente chegou a uma posição de destaque em Israel sendo membro do Sinédrio, a mais alta corte de justiça da nação. Daí se infere que tinha mais de 30 anos de idade, era doutor e também casado, pois tais eram as condições para o cargo ocupado. Pertencia ainda à seita político-religiosa dos fariseus, uma das mais estreitas e zelosas da Lei (At 23.6). Foi perseguidor da Igreja e matou cristãos (At 7.58; 8.1; 1Co 15.9; 1Tm 1.13).

Conversão

Paulo estava indo para Damasco numa missão de perseguição aos cristãos. Tal jornada durava em torno de cinco ou seis dias. Próximo à cidade, ao meio dia, teve uma experiência fantástica. Viu uma luz muito intensa que o derrubou ao chão na presença dos seus acompanhantes. Na verdade, era uma manifestação poderosa de Jesus Cristo. O Senhor apareceu para ele e perguntou por que Paulo o perseguia. O homem naquele momento “desmoronou”! Paulo naquele momento se arrependeu, creu, foi transformado e chamado para missão. Foi uma das conversões mais inusitadas da história bíblica. Tudo isso aconteceu com uma pessoa que nem mesmo queria a Jesus! Sua vontade foi mudada instantaneamente! Para Deus não há impossíveis! Imediatamente Paulo foi até Damasco, agora cego por conta de visão que teve, e ficou por três dias em oração e jejum até que Ananias vai visitá-lo; orou com ele e o batizou. Paulo ficou curado de sua cegueira e iniciou a pregar a Jesus Cristo naquela cidade. De perseguidor passou a ser perseguido, pois os judeus da região começaram a se opor a ele.

Início do ministério


Paulo, então, foi para o deserto e ficou por lá cerca de três anos (Gl 1.17). Depois, voltou novamente a Damasco para continuar seu novel ministério. Contudo, foi perseguido novamente e fugiu de uma maneira pitoresca, descendo por um cesto através da muralha da cidade (At 9.23-25; 2Co 11.32-33). Foi para Jerusalém e lá sofreu novamente perseguições. O apóstolo fogiu, então, para Cilícia onde demorou de 6 a 8 anos (At 9.30; Gl 1.21). Após este tempo, Antioquia da Síria se tornou um reduto para o cristianismo. Nesta cidade, havia uma igreja forte e influente. Barnabé que conhecia Paulo foi ao seu encontro chamá-lo para servir naquela igreja. Paulo passou um ano doutrinando e ensinado naquela comunidade. O Espírito Santo conduziu a igreja para obra missionária chamando Paulo e Barnabé. Começou aí o despontamento missionário e a grande obra que o apóstolo deixaria para eternidade!

sexta-feira, 5 de maio de 2017

NÃO ADIANTA FUGIR

Imagem: google.com
Jonas 1-2

Os capítulos 1 e 2 do livro de Jonas mostram o início de uma história surpreendente, contudo real. Em termos gerais pode-se relatar o ocorrido mencionando que Jonas, um profeta do Senhor, havia sido chamado com uma missão específica para ir à cidade de Nínive, a grande capital do império Assírio. Jonas, por um motivo bem peculiar, não obedeceu à voz do Senhor e tentou fugir para Társis, cidade a oeste de Nínive. Os planos de Jonas não saíram como ele pensou e a viagem para Társis tornou-se um caos. O barco em que se encontrava estava a ponto de quebrar-se ao meio por conta de uma grande tempestade. Tal tempestade, contudo, não era simplesmente de ordem natural, o texto deixa isso bem claro, mas era a mão do próprio Deus pesando contra Jonas e seus intentos! Na sequência, os homens do barco conheceram que Jonas estava em pecado e fugindo da presença do Senhor. Imediatamente o lançaram ao mar. Agora, o profeta estava totalmente entregue à iminente morte. O incrível na história, que choca alguns, e desafia a credibilidade de outros, é o fato de um grande peixe, também enviado por Deus, tragar o homem, que ficou três dias e três noites vivo em seu ventre! Nas profundezas do mar, Jonas, vendo o que estava lhe passando, clamou ao Senhor e se arrependeu de seu pecado. Após essa ação, o Senhor ordenou ao peixe que devolvesse Jonas em terra. O peixe vomitou-o em terra firme. Jonas passou por tal experiência e saiu vivo para contar a história!

A atitude de Jonas pode representar muitas vezes a de toda humanidade quando se afasta de Deus não ouvindo e obedecendo a sua voz. De modo geral, todas as pessoas têm uma missão e um chamado da parte de Deus. Caso ainda não seja convertido, o chamado é para ouvir ao evangelho, por outro lado, se já é cristão, o chamado é para viver e pregar o mesmo! Mas, não há escape. Há um chamado e uma missão divina designada a cada indivíduo. De modo geral, tal missão envolve obedecer a Palavra de Deus. Qual a resposta que geralmente Deus ouve das pessoas? Negativa! Assim como Jonas, muitos correm. Tentam se esconder e fugir dos propósitos de Deus. Na verdade, o homem quer por em prática seu próprio plano, sua vontade e desejo, que são, via de regra, contrários aos de Deus. Há aqui, portanto, um conflito de interesses, os do homem e os de Deus. Quem deve ter a primazia? Julgue você mesmo!

Entretanto, fugir não é a solução. Não foi para Jonas e não será para ninguém. A fuga fala de insistir nos pecados, nos caminhos contrários ao Senhor. Fugir significa estimar mais o erro, o pecado do que a Deus. Trata-se de guardar com estimação a transgressão. Evidentemente que aos filhos de Deus tal atitude não é adequada. Portanto, Deus intervém em tal circunstância a fim de mudar seu sentido. O Deus que intervém é aquele que ama seu povo e quer discipliná-lo. Tal disciplina não tem o objetivo de destruir, mas de restaurar, transformar e edificar para o bem: “Porque o Senhor corrige a quem ama e açoita a todo filho a quem recebe” (Hb 12.6). E Deus corrige os seus para que os tais não sejam condenados com mundo: “Mas, quando julgados, somos disciplinados pelo Senhor, para não sermos condenados com o mundo” (1 Co 11.32). Isso é uma realidade. Assim, podemos concluir que diante da transgressão dos chamados, e de sua obstinação, temos a ação do próprio Deus contrária aos planos dos homens: “Porque a tua mão pesava dia e noite sobre mim, e o meu vigor se tornou em sequidão de estio” (Sl 32.4). O próprio Deus toma a iniciativa de agir e sua mão levanta-se contra toda dureza de coração: “Mas o Senhor lançou sobre o mar um forte vento, e fez-se no mar uma grande tempestade, e o navio estava a ponto de se despedaçar” (Jn 1.4). O pastor Augustus Nicodemus tem uma mensagem intitulada: “E se Deus for contra nós?” que pode resumir a preocupação que se deve ter quando se está em pecado. E se Deus for contra nós? Acabamos de ver que ele foi contra Jonas, não seria contra nós também?

O maior problema, no entanto, não é o pecado em si, a falha ou o erro, até porque todos pecam: “Se dissermos que não temos pecado nenhum, a nós mesmos nos enganamos, e a verdade não está em nós” (1 Jo 1.8). O pior de tudo é a resistência, a obstinação em manter-se em rebeldia. Existem pessoas que gostam do pecado, flertam com ele e o guardam no subsolo de suas almas. Pessoas que não ouvem a repreensão, não se arrependem de seus maus caminhos e acreditam que seu erro é insignificante ou simplesmente passará batido. Há apenas uma orientação para esse tipo de pensamento: “de Deus não se zomba. Pois o que o homem semear, isso também colherá” (Gl 6.7). Não se enganem o pecado não foi ruim somente no passado! Mas, o pior não é o pecado em si, como foi dito, mas não se arrepender e não se desviar do mesmo. O pior é insistir no erro. A insistência pode levar o homem até os portões da morte. Jonas se viu como sepultado, no fundo do mar, no fundo do poço! Será necessário chegar até ao fundo do poço, até as portas do inferno para que o arrependimento chegue à vida das pessoas? Não seria mais prudente e fácil clamar ao Senhor por sua misericórdia e graça? “Se confessarmos os nossos pecados, ele é fiel e justo para nos perdoar os nossos pecados e nos purificar de toda injustiça” (1 Jo 1.9).

Jonas clamou do ventre do grande peixe e o Senhor ouviu seu clamor. O arrependimento é extremamente necessário. Max Lucado tem uma frase que cabe bem neste momento: “Deus o ama como você é, mas se recusa a deixá-lo como está. Ele quer que você seja simplesmente como Jesus”. O rei Davi em determinado momento exclamou: “Enquanto calei os meus pecados, envelheceram os meus ossos pelos meus constantes gemidos todo o dia. (...) Confessei-te o meu pecado e a minha iniqüidade não mais ocultei. Disse: confessarei ao SENHOR as minhas transgressões; e tu perdoaste a iniqüidade do meu pecado.” (Sl 32. 3, 5).

Confessar, se arrepender, indica um realinhamento de planos. Indica que se está deixando a independência para assumir a dependência de Deus. Arrepender-se significa falar sim ao Senhor e não ao pecado. Arrependimento traz vida, restauração e crescimento. Portanto, não adianta apenas fugir dos problemas, dos erros, das falhas e do pecado. A solução é reconhecer que o próprio Deus está agindo com disciplina para que cresçamos, abandonemos o pecado e o sirvamos para sua honra e glória para sempre.

Deus nos abençoe.

sábado, 1 de abril de 2017

DEUS DE ATRIBUTOS






Estava hoje lendo e meditando na lição que terei que ministrar na EBD. O tema? “Deus de atributos”. Então resolvi escrever este pequeno post para nos lembrar das magníficas qualidades do nosso Deus! Tais qualidades fazem de nosso Senhor o Deus único e especial, diferente de qualquer outra “divindade”.

Primeiramente devemos mencionar que Deus é AUTOEXISTENTE. Ou seja, Ele não veio a partir de algo, mas é em si mesmo o EU SOU. Não derivou de ninguém e sempre existiu de eternidade em eternidade. Logo, compreendemos que o Deus cristão está acima do espaço-tempo.

Deus é IMUTÁVEL, com isso queremos dizer que o Senhor não se altera, não muda, permanece inabalável. Essa é uma grande diferença que há entre Deus e a criatura. O teólogo Herman Bavinck afirmou que “o contraste entre ser e vir a ser assinala a diferença entre o Criador e a criatura. Toda a criatura está continuamente vindo a ser. É mutável, vive em constante confusão, busca repouso e satisfação, e encontra repouso em Deus, e só nele, pois só ele é puro ser e não vir a ser”.

Ele é INFINITO.  Está livre de toda limitação. Não está sujeito ao espaço-tempo como falamos. Tal atributo também está ligado a sua imensidade, o ser divino “ultrapassa” todo o universo.

Ademais, DEUS É UM. Existe um único Deus que é a origem de todas as coisas. Deus não é composição e não está sujeito a divisão. Dessa unidade somos, por definição, monoteístas.

DEUS É TRINO. Grande dificuldade encontramos ao tentar compreender a doutrina da trindade. Como entender que Deus é UM e ao mesmo tempo SUBSISTE EM TRÊS “SERES”, PAI, FILHO E ESPÍRITO SANTO? Bem, não quero fazer um novo debate sobre o tema, mas desde Agostinho de Hipona o tema está definido e aceito pela Igreja, a doutrina é pura e reflete os ensinos bíblicos. Deus é Pai, Filho e Espírito Santo. Um Deus totalmente diferente de outros como Alá, Zeus, ou divindades unicistas como “Jeová” (No sentido que alguns o definem e não o Bíblico).

DEUS É ONIPRESENTE. Ele está em toda parte em que sua presença se acha necessário. Tem autonomia para estar onde queira e seu ser “preenche” o universo.

Ainda podemos dizer que DEUS É ONISCIENTE. Ele conhece tudo o que existe. Chafer disse que Deus conhece tudo porque ele a tudo criou. Logo, o oleiro conhece o vaso que fez! Um detalhe é que se não considerarmos a doutrina da criação divina para o universo tal argumento ficaria sem sentido. Mas, pelo contrário, se Deus não criou o universo, quem o fez? Outra força e poder maior e independente de Deus? Acreditar nessa possibilidade minaria toda a prerrogativa de que Deus é o Todo-Poderoso e o “Ser-além-do-que-nada-maior-pode-ser-concebido”! Seria, então, uma contradição crer em Deus nessas condições. Logo, Deus é o criador, e, portanto, conhece todas as coisas.

DEUS É ONIPOTENTE. Não há limitações para o poder de Deus. “Existe alguma coisa impossível para o Senhor?” (Gn 18.14) foi a pergunta que o Senhor fez a Abraão. Esse é um atributo que muitas vezes fica apenas no campo teórico. A cristandade tem bastante dificuldade prática em aceitar que Deus PODE realmente fazer todas as coisas. Até mesmo as que julgamos impossíveis.

Temos mais alguns atributos. DEUS É SANTO. Tal atributo diz respeito à sua separação em relação ao mal, à injustiça. Ele é totalmente excelente e todas as suas características são perfeitas e perfeitamente utilizadas. Não há nele mácula, falha alguma ou desvio.

DEUS também é JUSTO. Ele é reto. Seu juízo é perfeito e não comete erros. Além disso, Ele mesmo é o parâmetro de justiça.

DEUS É AMOR. Tal doutrina é difícil. Carson até escreveu um livro com o título “A difícil doutrina do amor de Deus”. Por que difícil? Por que é mal compreendida. No sentido humanista, temos a tendência de converter o amor santo de Deus em um sentimento barato e libertino. Contudo, o verdadeiro amor de Deus é caracterizado pela doação de misericórdia e graça zelosa, tudo isso mesclado e dosado por sua justiça. A questão do amor e da justiça em Deus não podem ser vistos separadamente. O amor de Deus é justo e sua justiça é em amor.

Assim, terminamos nossa pincelada sobre os atributos de Deus. Claro que estamos longe de perscrutarmos toda a riqueza de cada um deles e mais longe ainda de conhecermos plenamente nosso Deus, pois é infinito; contudo, o que nos alcança é suficiente para encher nossos olhos e palpitar nosso coração em reverência diante da grandiosa Majestade do Senhor.


Que o Senhor seja louvado e reconhecido em todos seus atributos.

sexta-feira, 27 de janeiro de 2017

FLORES, AMORES E ARDORES!



A ação do prefeito de Ariquemes-RO, Thiago Flores, está causando e recrudescendo, novamente, a polêmica da questão homossexual. Ele juntamente com 12 vereadores decidiram suprimir conteúdo da IDEOLOGIA DE GÊNERO dos livros didáticos que foram distribuídos para o ensino fundamental, ou seja, para crianças e adolescentes.
A polêmica já vai longe – como de costume quando se mexe no assunto. Até o defensor magno da causa gay, deputado Jean Wyllys, se posicionou sobre o caso com um discurso indignado supondo um retrocesso à inquisição!
A reivindicação sobre os “direitos” dos homossexuais e sua livre expressão na sociedade pode ser analisada por diversas perspectivas. Gostaria de pontuar algumas situações – baseado em posicionamento teológico (não esqueça que a Teologia é uma ciência reconhecida e listada como uma grande área no CNPQ!) principalmente para os cristãos que defendem a disseminação do movimento homossexual e defendem inocentemente este discurso travestido de humanidade, civilidade e progresso!
Vamos lá:
1)    Deus criou homem e mulher e constituiu família a partir deles (Gênesis 1.27). Tal fato é reconhecido por nossa constituição federal artigo 226 e outros.
2)    As uniões homossexuais eram proibidas no Antigo Testamento, leia Levítico capítulo 18 pelo menos uma vez na vida e lembre-se de que preceitos morais do Antigo Testamento ainda valem no Novo Testamento.
3)    Sodoma e Gomorra foram destruídas por sua perversão moral. Só um fato para ilustrar, os anjos foram visitar Ló e resolveram pousar em sua casa. À noite, os homens da cidade queriam abusar dos anjos, ou seja, ter relações sexuais com os mesmos, o que foi imediatamente rechaçado, leia Gênesis capítulo 19 pelo menos uma vez na vida!
4)    Chegando ao Novo Testamento o discurso não muda. Não há um “modernismo” nos preceitos morais. Paulo na carta aos Romanos, capítulo primeiro diz: “...até as mulheres mudaram o modo natural de suas relações íntimas por outro, contrário à natureza; semelhantemente, os homens também, deixando o contato natural da mulher, se inflamaram mutuamente em sua sensualidade, cometendo torpeza, homens com homens, e recebendo, em si mesmos, a merecida punição do seu ERRO” (Versículo 26-27). Se não fizermos contorcionismos exegéticos, o texto é bem claro.
5)    O mesmo Paulo, em 1 Coríntios 6.10 enfatiza: “nem efeminados, nem sodomitas,...herdarão o reino de Deus” numa clara condenação à homossexualidade tanto ativa como passiva!
6)    Casamento na Bíblia é sempre entre homem e mulher. A família tem como base homem, mulher e filhos! Em especial, a monogamia foi exigida no Novo Testamento, assim temos, por exemplo: “É necessário, portanto, que o bispo seja irrepreensível, esposo de UMA SÓ MULHER, ...” 1 Timóteo 3.2.
Para sermos sucintos terminaremos por aqui, com tais “provocações”. Podemos concluir claramente que a Bíblia se opõe ao relacionamento entre pessoas do mesmo sexo. O que podemos inferir desse princípio quanto a ensinar crianças e adolescentes que a relação homossexual é normal, natural? Que cada um pode ser (em sua sexualidade) o que quiser? O que dizer sobre “antecipar” às crianças questões sexuais, às vezes antes mesmo que os pais e contrários aos princípios que os pais querem legar a seus filhos? Obviamente, uma inferência clara é que tal atitude também não deveria ser adotada.
DESTA FORMA, SOLIDARIZO-ME COM O PREFEITO E, NESTE SENTIDO, ELE TEM MEU TOTAL APOIO.
No mais, prezados, meu desejo é que não caiamos na conversa “bela”, revestida de “amor”, “tolerância” e “modernidade” pregada pelas ideologias seculares, lembremo-nos que nossa fonte de autoridade em questões de fé e prática é a Bíblia. Se você é cristão tal “cláusula” deve ser pétrea. Ainda que a “ciência” tente mostrar alternativas (não confio em determinadas conclusões especulativas dela!); ainda que a pressão popular seja grande em favor de um suposto modernismo de ideias; ainda que o Estado esteja curvado à ideologias (não comprovadas e calcadas em pensadores ateus), estejamos firmes em nossos posicionamentos sabendo que este é o melhor caminho para humanidade, o caminho traçado por Deus!
E não nos surpreendamos, pois está escrito: “Nos últimos dias sobrevirão tempos difíceis...” (2 Tm 3.1).

Que Deus nos ajude!